Senador é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
Imagem: Vorcaro, Mendonca e Flávio/Reprodução IA
Da redação
A política brasileira tem dessas voltas que chamam atenção até de quem acompanha Brasília há muitos anos.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, abriu um inquérito para investigar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 11 de setembro, pela agência internacional Reuters.
A investigação foi autorizada por Mendonça ainda em julho, a pedido da Polícia Federal e com a concordância da Procuradoria-Geral da República. A existência e os detalhes dessa decisão vieram a público agora, no meio das investigações envolvendo o Banco Master.
O caso tem relação com o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo as investigações, Flávio Bolsonaro teria participado das negociações para conseguir recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar a produção.
A Polícia Federal quer saber se houve irregularidades na movimentação desse dinheiro e se os fatos podem configurar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Mas existe um detalhe político que torna o episódio ainda mais significativo.
André Mendonça chegou ao Supremo justamente por indicação de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
Mendonça foi escolhido pelo então presidente para ocupar uma vaga no STF e tomou posse como ministro da Corte em 2021. Na época, Bolsonaro defendia publicamente a indicação de um ministro de perfil conservador e evangélico para o Supremo.
Agora, alguns anos depois, é justamente o ministro indicado por Bolsonaro quem autorizou uma investigação criminal envolvendo seu filho mais velho.
E o cenário ganha outro peso porque Jair Bolsonaro também vive hoje uma realidade muito diferente daquela de quando ocupava o Palácio do Planalto.
O ex-presidente atualmente cumpre pena em prisão domiciliar, depois de ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
Enquanto o pai cumpre a pena em casa, Flávio Bolsonaro está no centro da disputa presidencial e passa a enfrentar uma investigação formal autorizada pelo Supremo.
É importante deixar uma coisa clara: a abertura de um inquérito não significa que Flávio Bolsonaro seja culpado dos crimes investigados. O procedimento serve justamente para que a Polícia Federal reúna provas, documentos, depoimentos e outros elementos capazes de confirmar ou afastar as suspeitas.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades. Nesta sexta-feira, durante agenda de campanha, também defendeu que as investigações sejam feitas com transparência e que os fatos sejam apresentados à população.
O que já está posto, porém, é uma situação política bastante simbólica.
O ministro escolhido por Jair Bolsonaro para ocupar uma das cadeiras mais poderosas do Judiciário brasileiro agora está à frente de uma investigação que pode atingir diretamente o projeto político de seu filho.
Em Brasília, aliados podem mudar, adversários podem mudar e o poder troca de mãos.
Mas os documentos ficam.
E,
desta vez, eles colocaram André Mendonça e Flávio Bolsonaro em lados bem
diferentes de uma investigação que ainda promete muitos capítulos.
Com
informações da Reuters.



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