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Geração Dopamina": Estudo revela como vídeos curtos estão remodelando o cérebro infantil

Especialistas alertam que o consumo de conteúdos estilo TikTok e Reels prejudica o desenvolvimento cognitivo e reduz a capacidade de foco de crianças e adolescentes

Arte de Andre Mello

SÃO PAULO – Um novo estudo divulgado em 15 de fevereiro de 2026 traz um alerta preocupante para pais e educadores: a exposição desenfreada a vídeos de curta duração está causando impactos mensuráveis no desenvolvimento infantil. A pesquisa indica que esse formato de conteúdo treina o cérebro para estímulos fragmentados, o que compromete a atenção sustentada. 

O Alerta da Universidade de Macau

Entre os principais nomes por trás dessas descobertas está a Dra. Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na Universidade de Macau. Em seu trabalho, ela destaca que a superestimulação causada por vídeos rápidos e altamente atrativos pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo saudável. 

Segundo as pesquisas conduzidas por sua equipe, o hábito de assistir a conteúdos em rolagem contínua pelo celular está associado diretamente a:

  • Falta de concentração e "névoa mental".
  • Ansiedade social e sentimentos de insegurança.
  • Comportamentos compulsivos, estimulados por algoritmos personalizados que dificultam o controle do tempo de uso. 

O ciclo da gratificação instantânea

Diferente de filmes ou livros, que exigem paciência para o desenrolar de uma narrativa, os vídeos curtos oferecem uma recompensa dopaminérgica rápida. De acordo com neuropediatras, essa estimulação intensa ativa o sistema de recompensa do cérebro de maneira similar ao açúcar, criando um ciclo de busca constante por prazer imediato sem esforço cognitivo. 

"O consumo passivo desses vídeos promove padrões de ativação cerebral ligados a uma atenção dispersa", destaca o estudo. Isso torna tarefas que exigem concentração prolongada, como estudar ou ler um livro, extremamente difíceis e desinteressantes para a criança. 

O papel dos pais e educadores

Atualmente, cerca de 54% das crianças já consomem vídeos curtos regularmente. A Dra. Wang Wei, colega de Anise Wu, identificou que quanto mais tempo os estudantes dedicam a esses vídeos, menor é o seu envolvimento escolar e dedicação acadêmica. 

As recomendações de saúde seguem rigorosas: zero telas até os 2 anos e monitoramento rígido até os 10 anos. O desafio para a "Geração Dopamina" é redescobrir o valor do ócio e da paciência em um mundo digital que se move em ciclos de poucos segundos.

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