O medicamento Undecilato de Testosterona irá substituir o Cipionato de Testosterona, e entre os principais benefícios, está a ampliação do espaço entre as aplicações, que passará de 14 para 90 dias, reduzindo efeitos colaterais
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Nesta quinta-feira (29/1), celebra-se o Dia Nacional da Visibilidade Trans, e para marcar a data, a Secretaria de Saúde do Recife anuncia a incorporação definitiva, na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (Remume), de um medicamento que irá modernizar a hormonização para homens trans e pessoas transmasculinas residentes na capital pernambucana. A partir de agora, o Undecilato de Testosterona 250 mg/ml irá substituir o Cipionato de Testosterona 100 mg/ml, ampliando o espaço entre as aplicações injetáveis, que passará de 14 para 90 dias, reduzindo efeitos colaterais importantes, como oscilação de humor e o risco de trombose.
O acompanhamento hormonal para pessoas trans é ofertado na rede de Saúde do Recife desde 2020, pioneiramente em Pernambuco. “Recife sempre esteve na vanguarda, desde a abertura dos ambulatórios LBT do Hospital da Mulher do Recife, em 2016, e do LGBT Patrícia Gomes, em 2017, à oferta da hormonização com recursos próprios. E agora também sai na frente com modernização da hormonização para nossos munícipes. A substituição pelo Undecilato de Testosterona impacta, principalmente, na estabilidade dos níveis hormonais no organismo do usuário”, afirma a coordenadora da Política de Saúde LGBT do Recife, Dayane Alves.
A eficácia de longa duração permite que o Undecilato seja aplicado apenas a cada 90 dias, ao invés de a cada 14 dias, que é o caso do Cipionato, garantindo uma estabilidade de testosterona e menos alterações de humor. “Além desta importante estabilidade emocional para essas pessoas que são violentadas diariamente, o uso do Undecilato resulta em menos impactos nos níveis de colesterol e menor risco de trombose. E pela praticidade de ser apenas uma ampola aplicada trimestralmente, a pessoa não necessitaria ir à unidade mensalmente, resultando em economia com deslocamentos para nossos usuários, que apresentam vulnerabilidades sociais que impactam muitas vezes na continuidade do cuidado”, salienta Dayane.
Em homens trans e pessoas transmasculinas, o objetivo da hormonização é induzir a virilização, suprimir os caracteres femininos e interromper o sangramento vaginal. Para ter acesso aos hormônios, basta ser maior de 18 anos, residir no Recife e se dirigir a um dos ambulatórios que acompanham a população LGBT da cidade. “Atualmente, existem 751 homens trans e pessoas transmasculinas cadastradas em nossos serviços, e nestes casos, a mudança do medicamento será feita de forma gradual, seguindo os critérios clínicos de cada usuário”, explica a gerente geral de Assistência Farmacêutica do Recife, Bruna Lima.
O tratamento hormonal também é disponibilizado para mulheres trans e travestis, por meio da dispensação de Estradiol 2mg comprimido e Estradiol 0,6mg/g em gel (a partir dos 40 anos e de critérios clínicos). A dispensação tanto da testosterona quanto do estradiol para hormonização é feita na Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena.
AMBULATÓRIOS – o Ambulatório LBT do Hospital da Mulher e o Ambulatório LGBT Patrícia Gomes são as referências que ofertam cuidados à população LGBT no Recife. Desta forma, reafirmam o compromisso ético e político do Recife para garantir cuidado integral à saúde, eliminando a discriminação e oferecendo acesso a todas as pessoas, como objetiva a Política Municipal de Saúde Integral da População LGBT. Para além dos acompanhamentos da hormonização, os ambulatórios oferecem consultas clínicas, atendimento com Serviço Social, consultas com psicólogos e dispensação de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP). E, especificamente no LBT do Hospital da Mulher, também há atendimentos ginecológicos. Ao todo, 1.683 pessoas trans e travestis já foram acolhidas nos dois serviços de referência no município.
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