O recém-empossado prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, classificou como "ato de guerra" a operação militar unilateral dos EUA que resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas
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Mamdani expressou forte desacordo ao presidente Donald Trump, alertando que a busca por uma mudança de regime impacta diretamente a segurança da numerosa comunidade venezuelana em Nova York.
Pontos-Chave da Operação:
- A Detenção: Maduro foi capturado no sábado (3) e transportado sob custódia federal para o estado de Nova York em um Boeing 757 militar.
- O Julgamento: O caso será conduzido pelo Tribunal Distrital do Sul de Nova York. A acusação, que data de 2020, inclui narcoterrorismo, conspiração para tráfico de cocaína e crimes com armas.
- Localização Atual: O ex-líder venezuelano está detido no Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn e deve comparecer perante um juiz em Manhattan nos próximos dias.
Situação na Venezuela
Enquanto os EUA anunciam a intenção de governar o país até uma transição de poder, o Supremo Tribunal venezuelano designou a vice-presidente Delcy Rodriguez como presidente interina. Ela já exigiu a libertação imediata de Maduro, enquanto a comunidade internacional permanece dividida sobre a legalidade da intervenção.
Quadro Comparativo: EUA vs. Venezuela
| Ponto de Conflito | Acusação (Estados Unidos / DEA) | Resposta (Governo Venezuelano / Delcy Rodríguez) |
| Legitimidade da Captura | Baseada em mandados de prisão de 2020 por narcoterrorismo e segurança nacional. | Classificada como sequestro, "ato de guerra" e violação do direito internacional. |
| Status de Maduro | Réu sob custódia federal; líder do "Cartel de Los Soles". | "Único presidente legítimo" da Venezuela; prisioneiro político. |
| Acusações Criminais | Conspiração para usar cocaína como "arma" contra os EUA e crimes com armas pesadas. | Nega as acusações; alega perseguição política para forçar uma "mudança de regime". |
| Governança atual | EUA pretendem gerir o país até que uma transição de poder seja concluída. | O Supremo Tribunal designou Delcy Rodríguez como presidente interina para manter a soberania. |
| Jurisdição | Tribunal Distrital do Sul de Nova York (SDNY). | Rejeita a autoridade dos tribunais americanos sobre um chefe de Estado soberano. |
A captura de Nicolás Maduro em janeiro de 2026 gerou uma polarização intensa na comunidade internacional. O cenário divide-se entre o apoio à queda de um regime acusado de crimes e o repúdio severo ao que muitos países consideram uma violação histórica da soberania nacional.
Aqui está o resumo das reações internacionais:
1. Condenação e Defesa da SoberaniaA maioria das reações negativas foca na ilegalidade da intervenção militar unilateral dos EUA sob o comando de Donald Trump.
- Brasil:O presidente Lula declarou que a ação "cruzou uma linha inaceitável" e classificou o ato como uma afronta à soberania, convocando uma resposta da ONU.
- China e Rússia: Ambos exigiram a libertação imediata de Maduro. A China acusou os EUA de violarem o direito internacional, enquanto a Rússia afirmou que a "hostilidade ideológica" prevaleceu sobre a diplomacia.
- América Latina (Bloco Crítico): México, Colômbia e Chile condenaram o ataque. Gustavo Petro (Colômbia) chamou de "ataque à soberania da América Latina", e Gabriel Boric (Chile) pediu diálogo e multilateralismo em vez de violência.
- África do Sul: Solicitou uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU para tratar da invasão.
2. Apoio e Celebração
Países alinhados à política de "pressão máxima" dos EUA ou que reconheciam a ilegitimidade de Maduro celebraram o ocorrido.
- Argentina: O presidente Javier Milei celebrou com entusiasmo, publicando em suas redes: "A liberdade avança!".
- Ucrânia: Apoiou a remoção, afirmando que o regime de Maduro violava princípios fundamentais de direitos humanos.
- Itália e França: Manifestaram tons de elogio ou reconhecimento da falta de legitimidade democrática de Maduro, embora a França tenha ressaltado a preocupação com o direito internacional.
3. Organismos Internacionais e Posições Neutras
- ONU: O Secretário-Geral expressou "profunda preocupação" e classificou a ação como um "precedente perigoso" para a ordem global. Uma reunião do Conselho de Segurança foi agendada para discutir o tema.
- União Europeia: Adotou uma postura cautelosa, pedindo moderação e enfatizando o respeito à Carta da ONU, sem deixar de reiterar que não reconhecia a legitimidade do governo de Maduro.
- Países como Espanha e Alemanha: Pediram "desescalada" e expressaram preocupação com a estabilidade regional e o risco de um conflito prolongado na América do Sul.



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