A experiência construída em Olinda ao longo do mandato de vereadora é apontada por Eugênia Lima (PT) como um caminho para transformar a participação popular em uma prática permanente da política em Pernambuco
Fotos em anexo de Tiago Calmon
Caso seja eleita deputada estadual, a candidata pretende levar para o âmbito estadual iniciativas que aproximam seu mandato dos bairros, dos movimentos sociais, dos trabalhadores, dos fazedores de cultura e da população em geral.
A estratégia tem como uma de suas principais referências o Fala, Olinda!, iniciativa que consolidou uma forma de atuação baseada na escuta direta das comunidades. A partir dele, o mandato passou a desenvolver diferentes mecanismos de diálogo e participação, levando a discussão política para além dos espaços tradicionais da Câmara Municipal.
Entre as outras experiências estão o Gabinete Itinerante, que leva o mandato para os territórios; o Fórum dos Bairros, criado para discutir demandas específicas das comunidades; e a realização de audiências públicas temáticas, utilizando o espaço institucional da Câmara para ampliar o debate sobre questões de interesse da população.
“Eu acredito em uma política que escuta antes de decidir. Quem mora no bairro sabe onde o problema está, quem enfrenta a dificuldade todos os dias sabe o que precisa ser mudado. O nosso papel é criar os caminhos para que essa voz seja ouvida e transformada em ação política”, afirma Eugênia.
Participação popular também na cultura
A experiência do Cabe Todo Mundo no Carnaval também integra essa concepção de política construída a partir do diálogo. A iniciativa promoveu um processo de escuta envolvendo diferentes segmentos ligados ao Carnaval de Olinda, colocando no centro do debate a necessidade de construir políticas públicas para a maior manifestação cultural da cidade a partir da participação de quem vive e produz a festa.
Um dos resultados concretos desse processo de escuta foi a mudança na legislação dos cachês carnavalescos. A proposta estabeleceu o prazo de até 30 dias para o pagamento dos artistas e agremiações após a prestação de contas. A medida foi aprovada pela Câmara Municipal, mas vetada pela prefeita Mirella Almeida. Diante do veto, Eugênia Lima atuou pela sua derrubada, e os vereadores confirmaram a decisão, garantindo a transformação de uma demanda dos fazedores de cultura em uma conquista prevista na legislação municipal.
Tribuna Popular
Durante a campanha para deputada estadual, Eugênia ampliou ainda mais essa estratégia. A Tribuna Popular passou a ocupar as ruas utilizando uma Rural como estrutura móvel para promover encontros e abrir espaço para que a população possa falar, apresentar demandas e participar do debate político.
A iniciativa leva para os territórios uma ferramenta que tradicionalmente está associada aos plenários das casas legislativas: o direito à palavra
A proposta é transformar a campanha em mais um espaço de escuta, evitando que a população seja apenas espectadora do processo eleitoral.
A Rural, utilizada como palco da Tribuna Popular, simboliza essa mudança de perspectiva: em vez de esperar que as pessoas procurem o espaço institucional, o debate político vai até elas.
“A gente pode levar essa tribuna para a rua, para o bairro, para onde as pessoas estão. É isso que estamos fazendo”, explica a candidata. “Olinda me ensinou que, quando a gente abre espaço para as pessoas falarem, aparecem soluções, aparecem prioridades e aparecem caminhos que muitas vezes não estão dentro dos gabinetes. Quero levar essa experiência para Pernambuco e fazer da participação popular uma marca do nosso mandato na Assembleia”, afirma.



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