Entre Miguel Coelho e Dudu da Fonte, a vaga ao Senado virou o teste de comando da governadora
Foto: reprodução
Da redação
A roleta segue rodando sem parar no tabuleiro político de Pernambuco. Nas rodas de conversa, nos gabinetes e nos grupos de WhatsApp, a pergunta é uma só: afinal, quem será o candidato ao Senado na chapa de Raquel Lyra, Dudu da Fonte ou Miguel Coelho?
Nos bastidores, já se ventila uma saída curiosa para destravar o impasse: se Miguel desistir, Dudu também poderia abrir mão. Traduzindo: ninguém quer sair derrotado sozinho da mesa. Melhor um acordo que salve as aparências do que uma guerra interna com vencedor, perdedor e cicatriz exposta.
Enquanto isso, Miguel decidiu acelerar. Lançou nas redes sociais o mote da pré-campanha com a frase “Miguel Coelho, a força do trabalho”. Na legenda, foi ainda mais direto: “Começou”. Para bom entendedor, não foi apenas uma postagem. Foi um recado.
Miguel quer mostrar que está no jogo, que tem a bênção política da governadora e que não pretende ser tratado como peça descartável na montagem da chapa. Do outro lado, Dudu da Fonte também não recolheu as armas. Em entrevista à Rádio Polo FM, de Santa Cruz do Capibaribe, reconheceu apenas a indicação de Túlio Gadêlha e disse que vai aguardar, “com toda tranquilidade”, o desfecho da governadora.
Tranquilidade, em política, às vezes é só outro nome para pressão bem administrada.
Raquel, por sua vez, segura a caneta e o suspense. Já demonstrou preferência por Miguel Coelho, mas sabe que Eduardo da Fonte comanda uma estrutura partidária pesada, com força na Federação União Progressista. O problema é que Dudu, segundo aliados da governadora, teria recusado a vaga antes e aberto conversas com o campo de João Campos. Essa conta ainda não fechou no Palácio.
Agora, a governadora está diante de uma escolha que vai muito além de preencher uma vaga ao Senado. Se bancar Miguel, reafirma a lógica da lealdade e da palavra empenhada. Se acomodar Dudu, preserva a federação e evita um racha maior na base.
A questão é que, enquanto Raquel calcula, Miguel se movimenta e Dudu espera. E quem espera, no tabuleiro político, também joga.
A chapa ainda não está fechada. Mas a novela já tem roteiro, personagens em tensão e bastidor pegando fogo. Falta apenas saber quem vai sair da cena com a vaga, quem vai ganhar compensação e quem ficará com o papel de coadjuvante contrariado.



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