Apesar dos avanços, mulheres ainda são minoria nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática; especialistas apontam que o contato com essas áreas na infância e adolescência pode fazer diferença
Criança em aula de robótica - Foto: Reprodução
Embora as mulheres representem a maioria dos estudantes no ensino superior brasileiro, elas ainda ocupam uma parcela menor das vagas em cursos e profissões ligadas às áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Pesquisas mostram que a participação feminina continua abaixo da masculina em diversas carreiras tecnológicas e científicas.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2023, aponta que as mulheres representam 52% dos pesquisadores em ciência e tecnologia no Brasil, na área de ciências da saúde, enquanto engenharia e computação continuam dominadas por homens. No mercado de trabalho, a diferença se torna ainda mais evidente. No país, as mulheres representam apenas 35% das matrículas em cursos dessas áreas, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
De acordo com levantamento da Serasa Experian, em 2025, o número de mulheres atuando em tecnologia no Brasil cresceu 4,6% em relação a 2024, passando de 69,8 mil para 73 mil profissionais. Ainda assim, esse total representa apenas 0,08% da população feminina adulta brasileira, contra 0,34% dos homens. Em termos práticos, para cada mulher em TI, há quatro homens.
Solução
Segundo especialistas, um dos caminhos para ampliar essa participação é promover o contato com tecnologia, programação e inovação ainda durante a infância e a adolescência. Esse cenário têm levado escolas, universidades e organizações a criarem iniciativas voltadas ao incentivo de meninas nessas áreas.
Recentemente, estudantes do ensino médio da ABA Global Education foram destaque no Regenerative Futures: Innovation Challenge, desafio do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Em meio a soluções sustentáveis de jovens de vários países para problemas ambientais e globais, as adolescentes se classificaram para semifinal, ao criarem um filtro anti alagamento feito com resíduos de garrafas PET. O protótipo físico será entregue em julho e o resultado da final será divulgado na conferência anual dos Fablabs - FAB26 - que acontecerá de 27 a 31 de julho, em Boston, nos Estados Unidos.
Neste ano, outras alunas da instituição também participaram do Technovation Girls, programa internacional que desafia meninas e jovens mulheres a desenvolverem soluções tecnológicas para problemas reais de suas comunidades. As meninas da educação infantil integraram três das 20 equipes pernambucanas classificadas para a etapa regional da iniciativa, realizada no Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco. Entre os projetos desenvolvidos estão jogos educativos voltados à preservação dos animais selvagens, à conscientização sobre o desmatamento da Amazônia e ao combate aos maus-tratos contra animais.
De acordo com Martha Santos, mentora dos projetos, iniciativas como essa permitem que as participantes desenvolvam habilidades importantes para além da tecnologia. “As meninas exercitam trabalho em equipe, criatividade, comunicação, senso crítico, resolução de problemas e protagonismo. Elas deixam de ser apenas consumidoras de tecnologia para se tornarem criadoras de soluções com impacto real”, afirma.
“Quando as meninas têm a oportunidade de criar projetos, testar soluções e perceber que são capazes de desenvolver tecnologia, elas passam a se enxergar como protagonistas desses espaços. Isso contribui não apenas para o aprendizado, mas também para ampliar perspectivas de futuro e confiança para ocupar espaços tradicionalmente associados aos homens”, finaliza Martha, Assistente Maker da ABA Global Education.



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