O Grupo Corpo traz ao Teatro de Santa Isabel, nos dias 1º e 2 de novembro, duas obras marcantes do seu repertório: Piracema, que comemorou os 50 anos de atividades da companhia em 2025, e Parabelo, de 1997, definida pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras como a “mais brasileira e regional” de suas criações
Foto: Divulgação
PIRACEMA
Do Tupi: “pira” = peixe; “cema” = subir. Arribação de peixes em grandes cardumes.
(Estreia: 2025)
coreografia: Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches
música: Clarice Assad
cenografia: Paulo Pederneiras
figurino: Susana Bastos e Marcelo Alvarenga
iluminação: Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras
(Duração: 37 minutos)
O nome designa o movimento migratório dos peixes em direção às nascentes dos rios para a reprodução. Essa travessia, feita contra a corrente, foi escolhida como imagem para o cinquentenário da companhia, associando permanência e transformação, continuidade e recomeço.
A obra nasceu de uma proposta do diretor artístico Paulo Pederneiras: dividir os 22 bailarinos em dois grupos de 11 e entregar a Rodrigo e Cassi a tarefa de criar, separadamente, um balé inteiro. Durante o processo, um não acompanhava o trabalho do outro. “Não podíamos nem circular na área em que o outro grupo estava ensaiando”, conta Cassi.
AI-generated content may be incorrect.Foi somente dois meses antes da estreia que os grupos assistiram ao trabalho um do outro e os coreógrafos começaram a reunir as duas concepções. “Nesse momento, foi uma emoção, choro, alegria”, lembra Paulo. Para Rodrigo, a combinação produziu “uma terceira via”: “Nossas visões têm características próprias, claro, sou mais intimista na movimentação, Cassi é mais explosiva e aberta”.
A composição de Clarice Assad se organiza em três grandes movimentos. Parte do tribal e de um ambiente natural intocado, passa pela polifonia sinfônica e chega ao eletrônico, urbano e contemporâneo. A compositora trabalhou com o percussionista Keita Ogawa e a New Century Chamber Orchestra, de São Francisco, além de participações especiais, entre elas a de seu pai, o violonista e compositor Sérgio Assad. A própria Clarice participa com harmonias vocais e incorporou, na terceira parte, ruídos e sons criados por inteligência artificial.
“Foi um quebra-cabeças que o Corpo e eu montamos lado a lado, criando um panorama de evolução, mudança e revolução do mundo”, diz Clarice. Para ela, permanece a pergunta sobre o destino desse percurso: “Ainda não sabemos se caminhamos para uma utopia ou uma distopia. Mas o poder regenerativo da arte é real”.
Para a cenografia, Paulo Pederneiras recobriu o fundo e as laterais do palco com 82.320 mil tampas de latas de sardinha montadas sobre uma rede. Sob a luz, a superfície metálica remete às escamas e aos cardumes. Paulo assina também a iluminação ao lado de Gabriel Pederneiras.
Os figurinos são de Susana Bastos e Marcelo Alvarenga, da Alva, em sua primeira criação para dança. A dupla trabalhou a partir das ideias de natureza e tecnologia, ora em conflito, ora em harmonia. A cartela começa com cores terrosas e avança para tons frios, tecidos leves e transparentes, até chegar ao predomínio do prata nas cenas finais. As malhas recebem intervenções sutis nos cortes e volumes nos quadris e ombros, tornando menos definidas as figuras masculinas e femininas.
PARABELO
(Estreia: 1997)
Sertanejo e contemporâneo, Parabelo estreou em 1997 com coreografia de Rodrigo Pederneiras e música de Tom Zé e José Miguel Wisnik. A trilha reúne cantos de trabalho e devoção, baião cadenciado e diferentes construções rítmicas. Rodrigo responde a esse universo sonoro com uma escrita coreográfica marcada pela mobilidade do tronco, pelo jogo de cintura e pela marcação dos pés.
A obra nasceu de um mergulho em referências do interior do Brasil, mas sem transformar essas referências em representação literal. Música, movimento, cenário e figurino constroem uma paisagem própria, em que elementos regionais são reelaborados pela linguagem da companhia.
A cenografia de Fernando Velloso e Paulo Pederneiras traz dois painéis de 15 por 8 metros com imagens de ex-votos de igrejas interioranas. Nos figurinos de Freusa Zechmeister, as malhas coloridas aparecem, na primeira parte, cobertas por um tule negro, com exceção das sapatilhas. Na parte final, o tule desaparece e as cores se revelam. A iluminação é de Paulo Pederneiras.
Concebidas em momentos distintos da trajetória do Grupo Corpo, Parabelo e Piracema mostram duas maneiras de transformar referências brasileiras em dança. Entre uma obra e outra estão quase três décadas de criação, atravessadas por uma linguagem coreográfica que permanece em movimento.
Recife
1 e 2 de novembro
Teatro de Santa Isabel
domingo e segunda – 18h
No dia 2 de novembro o espetáculo contará com audiodescrição.
Classificação indicativa: livre
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
Ingressos: Sympla
De R$25,00 (meia-entrada) a R$220,00 (inteira)
____________________________________
GRUPO CORPO
apresentado por: PETROBRAS
patrocínio: VIVO através da LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA



0 Comentários