Dados da Retratos da Leitura no Brasil mostram que apenas 25% das crianças de 5 a 10 anos apontam os livros como opção de lazer
Foto: DIvulgação
Em um cotidiano cada vez mais dividido entre telas, jogos, vídeos e redes sociais, despertar o interesse das crianças pelos livros pode ser um desafio para famílias e escolas. Dados da 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024 pelo Instituto Pró-Livro, mostram que apenas 25% das crianças de 5 a 10 anos apontam a leitura de livros como uma de suas atividades preferidas no tempo livre. No mesmo grupo, 43% indicam os videogames como opção de lazer. Entre os jovens de 11 a 13 anos, a leitura também aparece para 25%, enquanto 39% preferem os jogos eletrônicos.
O cenário reforça a importância de criar oportunidades para que o contato com os livros aconteça para além da obrigação escolar. No mês em que são celebrados o Dia Nacional da Leitura (12 de outubro) e o Dia Nacional do Livro (29 de outubro), a bibliotecária do Colégio Salesiano Recife, Maria Tamyres, chama atenção para estratégias que podem ajudar a aproximar crianças e adolescentes da literatura e transformar a leitura em um hábito prazeroso.
A profissional reforça que, para além de contribuir para o desempenho escolar, ler com frequência amplia o vocabulário, fortalece a capacidade de interpretação, estimula a criatividade e ajuda a desenvolver o pensamento crítico. “Ao entrar em contato com diferentes personagens, narrativas, culturas e pontos de vista, a criança também amplia seu repertório e aprende a estabelecer relações entre a história e situações do próprio cotidiano”, complementa.
Leitura não precisa ser sinônimo de obrigação
Uma das estratégias para despertar o interesse é permitir que a criança tenha participação na escolha do que deseja ler. A faixa etária deve ser considerada, especialmente em relação à linguagem e à complexidade da obra, mas os interesses individuais também podem orientar esse processo. “Uma criança curiosa sobre animais pode se aproximar dos livros por meio de histórias ou obras informativas sobre o tema. Quem gosta de aventura, por sua vez, pode encontrar na fantasia ou nas narrativas de ação uma porta de entrada para a literatura”, explica Tamyres.
Segundo a profissional, variar gêneros e formatos também pode ajudar. “Histórias em quadrinhos, contos, poesias, livros ilustrados, biografias e obras de ficção oferecem experiências diferentes e permitem que cada leitor encontre aquilo que mais desperta sua curiosidade”, detalha. A proposta, nesse primeiro momento, não deve ser, necessariamente, fazer a criança ler determinada quantidade de páginas, mas construir uma relação positiva com o livro.
Família pode criar rotina mesmo com pouco tempo
A formação do hábito também pode começar em casa, sem exigir grandes períodos do dia, reservado alguns minutos para a leitura antes de dormir, durante uma pausa no fim da tarde ou em outro momento tranquilo da rotina familiar.
Para as crianças menores, a bibliotecária recomenda a leitura compartilhada. “Ler em voz alta, conversar sobre os personagens, perguntar o que a criança achou da história ou imaginar juntos o que pode acontecer nas próximas páginas são formas de estimular a compreensão e transformar a atividade em uma experiência de convivência”, ressalta.
Outra estratégia simples é deixar os livros acessíveis em casa, permitindo que a criança possa escolher espontaneamente uma obra para folhear ou ler. A participação dos pais e responsáveis nesse processo também é importante, ao demonstrarem interesse pela leitura, comentarem sobre os livros e reservar um tempo para ler.
Escola como espaço de formação de leitores
No Colégio Salesiano Recife, a biblioteca desenvolve iniciativas para aproximar os estudantes dos livros de forma lúdica e participativa. Entre elas estão o Clube Literário, gratuito e voltado aos alunos do Ensino Fundamental II; o Cinebiblio, que conecta literatura e cinema; as contações de histórias para a Educação Infantil; e a Feira de Troca de Livros.
O incentivo também acontece no dia a dia, com propostas que buscam despertar a curiosidade dos alunos, como um mural de “fofocas e notícias literárias”, que utiliza uma linguagem próxima à dos jovens para apresentar livros, autores e histórias. Neste mês, a biblioteca realiza ainda a II Semana da Biblioteca Escolar, com aulão sobre obras cobradas no SSA e no Enem, II Feira de Troca de Livros, contações de histórias e piquenique literário, entre outras atividades.
“Nesse processo, família e escola atuam de forma complementar para que a leitura passe a ocupar o espaço da curiosidade, da imaginação e do prazer de descobrir novas histórias. Enquanto a escola amplia o repertório e oferece diferentes experiências literárias, a família pode ajudar a consolidar o hábito no cotidiano”, finaliza Tamyres.



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